"Bancada gay", "bancada da bala", "bancada sindicalista", "bancada evangélica". O Congresso Nacional virou uma praça de guerra entre grupos defendendo seus interesses.
Em entrevista ao Roda Viva da última segunda-feira (14/01/2013), Fernando Gabeira disse uma coisa para se pensar. Segundo ele, a política brasileira vive um momento em que existe uma luta muito mais engajada na defesa de interesses de pequenos grupos do que interesses que tenham objetivos mais abrangentes. Claro, como se trata de uma briga travada em urnas, dá-se a ela um caráter "democrático". Ou seja, por mais escroto que possa ser, é legal e legítimo.
O que vemos é uma ferrenha luta para que individualidades não sejam respeitadas, sequer toleradas, quando estas vão de encontro às doutrinas religiosas ou aos comportamentos reacionários. Os discursos excludentes pipocam a todo momento, fazendo, assim, com que grupos exclúidos busquem eleger representantes que lutem pelos seus ideais. Posteriormente, trava-se a briga entre grupos que querem (e precisam) ser ouvidos e respeitados e grupos que tem o objetivo único de tolher as individualidades daqueles que não compartilham da mesma crença, doutrina ou ideal. Assim, a discussão que poderia trazer um avanço social, científico, enconômico, tecnológico, concentra-se em discutir temas que mostram cada vez mais como somos um país que ainda engatinha nessa brincadeira chamada "democracia".
O pastor-deputado (ou deputado-pastor, nem sei mais o que esse povo faz), do link em anexo, diz que propostas como "casamento gay" jamais serão aprovadas porque a câmara é composta, em sua maioria, por pessoas "conservadoras" e que o Brasil é um país "Cristão". Não, não somos um país "Cristão"! O Brasil é um país que adotou um modelo político no qual Estado e igreja são coisas distintas e um não determina os rumos do outro. Bem, infelizmente, isso fica apenas no campo ideológico. Temos uma vocação incrível para elegermos representantes que reproduzem pensamentos de tempos medievais e que colocam doutrinas e, por que não dizer interesses econômicos disfarçados de fé, acima de tudo.
http://m.congressoemfoco.uol.com.br/noticias/candidato-evangelico-quer-derrotar-gays-no-voto/
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